As atividades que exerce, como pintar e ensinar, estão intrinsecamente ligadas. E ela não as quer dissociadas.
Para a artista plástica Tânia Machado, que se define como uma artista visual, pintar é a junção do prazer com o trabalho. Além de pintar, Tânia é ilustradora e publicou livros infantis e de literatura. Morando há 24 anos em Maringá, a curitibana Tânia diz que o sul do Paraná é a sua identidade, mas o conteúdo do seu trabalho tem a influência direta da Cidade Canção. “Esta é uma terra abençoada, tenho uma relação instintiva com a terra. Meus trabalhos têm esta ligação”, explica.
Uma ligação que ela faz da Idade Média, pelo primitivismo, pelo sentido e o ideal daquela época, até os dias de hoje. Uma ponte a partir de formas e cores com a forte presença do campo e todos os elementos que o compõem: trabalhadores, lavoura, colheita, utensílios. “Trabalho com simbologia”, define.
Um exemplo desta conexão é o seu quadro Magnificat. Tânia recorreu ao período medieval, utilizando uma catedral da Alemanha, a Velbert Niwiges, construída tendo como inspiração os Alpes Suíços. A artista pintou elementos dessa catedral para criar o ambiente propício para falar de seu pai, falecido este ano. No quadro, ele é representado por uma porta de luz.
Tânia pinta profissionalmente há 23 anos. Em média, faz duas exposições por ano, geralmente uma coletiva e outra individual. Formada em zootecnia, ela não considera divergente o fato de ter completado um curso que à primeira vista está distante da arte: “Tudo tem relação com a natureza”.
Professora de linguagem visual da UEM, constata-se que Tânia estende o seu prazer de pintar para as aulas. A contundência, ou seria paixão, com que fala sobre seus alunos e os progressos alcançados mostra que as atividades que exerce, como pintar e ensinar, estão intrinsecamente ligadas. E ela não as quer dissociadas. “O poder que o professor tem de extrair as possibilidades do aluno é gratificante”. Podendo até influenciar? “Não”, ela se apressa em responder. “Eles fazem o caminho deles. O tema, a criação, é tudo deles. O aluno tem suas próprias características, tem que bater suas próprias asas. Ao professor cabe deixar fluir.”
“A arte faz com que as pessoas se abram mais”, analisa Tânia, ressaltando que seus alunos, que atuam em áreas distintas, como matemática e economia, por exemplo, não têm a pintura como terapia ou hobby. É bem mais do que isso. “As pessoas são herméticas e precisam se abrir. Eu trabalho isso com eles”, diz, ao mesmo tempo em que afirma que a arte fez com que ela se comunicasse mais com as pessoas.
Tânia conta que hoje o artista não fica “só no sótão, pintando”. “Ele tem que fazer várias coisas, expor, divulgar seus trabalhos. A antena do artista deve estar ligada para todos os lados”, analisa.
Dentro da simbologia com que pinta, Tânia amplia as margens para a interpretação de seus trabalhos. “Nas exposições, gosto de ouvir as pessoas analisando meus quadros. Tenho minha leitura, mas cada um faz sua própria leitura. Arte é isso.”
Texto de Antonio Roberto de Paula
Foto da capa: Walter Fernandes