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30/06/2010

Pedro Ochoa: " o teatro escolhe a gente e não o contrário "

Diretor, ator e criador do Circo Teatro Sem Lona

Pedro Ochôa, 46 anos, paranaense nascido em Clevelândia, estudou Engenharia Agrícola na Unioeste  em 1984, foi onde iniciou a participação no Grupo de Teatro Universitário desta instituição. Formado em Pedagogia pela UEM. Em 1987 profissionalizou-se em teatro como ator, e dedicou sua vida exclusivamente a carreira teatral. Foi presidente da Federação Independente de Teatro Amador do Paraná ( Sub-sede oeste) Fez cursos de teatro profissionalizantes pelo Inacen ( Instituto Nacional de artes Cênicas) de Analise e Interpretação de Textos Teatrais com José Eduardo Vendramini ( ECA-USP) Interpretação Teatral  com  João das Neves e Direção Teatral com Edélcio Mostaço (da Escola Macunaíma –SP – na época 1987). Em 1988 prestou concurso na UEM – Universidade Estadual de Maringá da qual é servidor na atualidade, desenvolvendo a função de Instrutor de Teatro, Coordenador do Teatro Universitário e ocupa o cargo de Chefe da Divisão de artes Plásticas e Cênicas. Fundador da Cia Maringaense Circo Teatro Sem Lona em 1996, que estreou seu primeiro espetáculo ( O Amor de Peri em Ceci) em 1999.

Ao longo de sua carreira já conquistou vários prêmios e projetos, melhor diretor, ator, cenografia, sonosplastia com o Amor de Peri e Ceci. E com a peça RAMO Ardente do TUM.

 

Como surgiu o Circo Teatro Sem Lona?

A Cia foi fundada em 1996 após a promoção do espetáculo infantil  “ Palhaço Tam Tam, eu e o Marcos Trindade, na época técnico do espetáculo ( Iluminador e sonoplasta) discutíamos sobre a possibilidade de montarmos uma companhia com estas características, e a Secretaria da Cultura de Maringá abriu um edital de Lei de Incentivo, nós elaboramos um projeto que intitulamos “ Palhaço na Praça”, e a partir de uma pesquisa sobre a linguagem circense é que chegamos ao nome da Companhia e ao nosso primeiro espetáculo “ O Guarani, O Amor de Peri e Ceci”.

 

Como foi o início da companhia?

Como todo o início de atividade foi trabalhoso, não tínhamos sede, nem verba para mantermos elenco, transporte montagem, a companhia não era conhecida, a linguagem dos espetáculos ainda não estava bem definida. A administração da companhia era precária, mas aos poucos fomos aprendendo, organizando e começamos a participar de editais, campanhas e a companhia foi se estruturando.

Como tem sido a receptividade do público?

Eu avalio que o público gosta, aprecia o trabalho desenvolvido pelo circo teatro, embora as vezes nos deparamos com pessoas que acham que somos especialistas em circo, o termo “ Circo Teatro”, é brasileiro, veio das atividades que as companhia ou trupes circenses que viajavam pelo interior do Brasil desenvolviam de acordo com suas  habilidades artísticas. Os circos-Teatros no interior faziam a função de centros culturais em cidades pequenas, levam números de variedades,  cantores, duplas sertanejas, humoristas ( Barnabé, compadre Moreira e Adelaide), uma peça de teatro ( Maconha Erva Maldita, O céu Uniu Dois Corações), números de circo, (Trapézio, malabares,  Palhaços e etc...) em algumas situações atrações que estavam em evidência na televisão como  telequete internaciona”, eu cheguei a assistir com meu pa, Barnabé, telequete, e Compadre Moreira e Adelaide, que eram famosíssimos na época.Sendo assim, circo teatro não é uma trupe que apresenta somente circo, mas que utiliza a linguagem, principalmente do palhaço para levar cultura popular.

 

Como surgiu esta vontade de fazer teatro?

Quando fazia universidade (Unioeste) o curso de Engenharia Agrícola, fui convidado para tocar numa peça do Grupo de Teatro Universitário, mas eu já toca violão, meu pai sempre tocou violão e acordeon.

 

Como você define a arte que faz?

Verdadeira, faço o que gosto, dedico-me intensamente a minha função.

 Em quem você se inspira?

Em alguns artistas, gosto do Felinni, Chaplin, Brecht,  Teatro de Soleil ( França), Grupo Galpão de Minas.

 

Você concorda que a comédia é a mais difícil das interpretações? Você chega a tremer em algumas apresentações?

Não acho que a comédia é mais difícil, acho difícil ser ator, acho que o teatro escolhe a gente e não a gente escolhe fazer teatro, tem atores que fazem teatro a vida toda e não descobrem o teatro.

 Neste tempo todo de teatro, tem algum ou alguns fatos marcantes?

Muitos acontecimentos marcantes, eu lembro uma apresentação que fizemos com o  TUM – Teatro Universitário de Maringá, inaugurando uma casa de cultura de Ibiporã, como o espaço era pequeno dentro da casa, optamos por fazer num teatro de Arena que tinha ao lado, o teatro tinha um jardim com um lago logo atrás do palco, éramos quatro atores, ensaiamos de dia, a noite eu estava em cena, um dos atores que representava o povo, com um máscara neutra ( branca) viria do fundo com uma vela na mão o palco em penumbra, eu vi a vela no escuro, de repente a vela sumiu, ator esqueceu do lago e caiu dentro, 10 segundo depois ouvimos as batidas na água era ator tentando sair, ai foi só gargalhada.

 

Em algum momento, diante das dificuldades, pensou em desistir?

Não, nunca pensei em desistir!

 O maringaense está mais ligado ao teatro ou o caminho ainda é longo?

O maringaense está sim mais atento as programações culturais que envolvem teatro, acho que a cidade cresceu e é quase uma exigência que se tenha programas, e quando se tem temporadas constantemente o público acaba habituando a ida ao teatro.

 

O que você diz para quem quer fazer teatro?

Procure um curso bom primeiro informe-se sobre a qualidade do curso e dos profissionais, e se decidir ser ator, estude muito, não  espere a sorte, faça um curso superior é o melhor caminho.

Cia Maringaense Circo Teatro Sem Lona

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