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15/06/2010

Nivaldo Tonon

A arte para a libertação diária

Suas obras estão espalhadas em vários pontos de Maringá, desde entalhes em portas de residências e empresas, esculturas em igrejas e em prédios, e estatuetas decorando salas de casas e escritórios. O artista plástico Nivaldo Tonon perdeu a conta dos locais em que se encontram seus trabalhos.

     Absolutamente despojado – mora num trailer ao lado do galpão em que concebe suas obras, Tonon vive, ou melhor, sobrevive de arte há mais de 30 anos. Uma arte belamente instigante em que utiliza ferro, madeira, resina, fibra de vidro, entre outros materiais. Atualmente, a sucata de ferro, que consegue de empresas de amigos, tem sido a principal matéria prima para realizar seus trabalhos.


  No início da carreira, Tonon morou no Rio de Janeiro, estudou e lecionou na Escola de Artes Visuais Parque Lage e na Sociedade Brasileira de Belas Artes, fez parte de grupos de estudos de Jung, teve a certeza que seu caminho era ser artista e voltou a Maringá. Logo que retornou, no início dos anos de 1980, era chamado de maluco porque, além de não cumprimentar ninguém, gostava de andar descalço pelas ruas da cidade. E mais: nunca traduziu em dinheiro sua genialidade, nunca teve paciência para comercializar suas obras. Quem o conhecia realmente, sabia que aquilo tudo era só uma forma de se defender.

    Hoje, ele está um pouco mais mudado. Só um pouco ainda. Ele gosta de falar da arte que faz , de religião e da sua cidade. Mas, há alguns anos incorporou um outro assunto, que vem se tornando o predileto. Membro ativo da Associação Maringaense de Saúde Mental, entidade localizada no Jardim Santa Rosa, ao lado do Conjunto Borba Gato, em Maringá, ele tem a premente necessidade de falar sobre sua luta para se recuperar do transtorno bipolar, o que faz com que sofra alterações diárias de humor, ao mesmo tempo em que colabora para que outras pessoas também se recuperem.

     Há seis anos Tonon convive com pessoas que sofrem deste e de outros males, como esquizofrenia, por exemplo. Animado com este novo caminho em que é paciente e atua como uma espécie de conselheiro, diz que vem conseguindo progressos com o que ele chama de laborterapia. “Tenho uma grande satisfação em poder ajudar a melhorar a vida das pessoas. O segredo da recuperação é ajudar o outro a se recuperar”, afirma.


 

Neste contexto, ele classifica a arte bem acima de trabalho. Diz que é uma forma de me comunicar. Com a bipolaridade e dislexia, esta também detectada já na fase adulta, Tonon teve a arte como o meio para se expressar. De maneira inconsciente, ele foi exercitando este dom, e com isso buscando se comunicar, abrindo o coração. Durante anos, quando mais se fechava para as pessoas, mais Tonon se abria para a criação. À medida que se tornava mais recluso, ia produzindo peças de forte apelo emocional e de estética surpreendente. 

    Hoje, ele vive um outro momento, o que não significa que sua arte tenha sofrido alguma alteração. A dolorida experiência e a mão de Deus convergem para sua fonte de inspiração. Suas obras, abertas a muitas leituras, pressupõem liberdade na maioria das vezes. A arte é o que o liberta diariamente.

      A serenidade ainda está longe de Tonon, mas agora tem uma noção mais clara do trabalho que faz e da vida como um todo. “Deus me fez passar por muita coisa, mas nunca me afastei da fé. Sei que sou um instrumento Dele. Através da minha arte posso ajudar as pessoas que sofrem como eu.  A gente não pode parar. A vida é dinâmica, a arte é dinâmica.”

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