Integrante da Academia de Letras de Maringá fala sobre a cidade
Quando lhe pedem para dizer algo sobre Maringá, o que vem primeiro à mente?
Que esta é uma terra de bravos. Somente os bravos saem do lugar onde nasceram para se aventurar numa terra nova. Em Maringá, somos todos assim: pioneiros ou descendentes deles.
Quando você chegou em Maringá? Veio fazer o quê?
Vim movido pelo espírito de aventura e aqui peguei carona no grande sonho dos desbravadores. Minha primeira atividade em Maringá foi no ramo de peças de automóveis, com uma lojinha na Avenida Brasil. Depois me convenci de que aquilo não tinha nada a ver comigo. Passei então a trabalhar na imprensa e no rádio, e finalmente no ensino. Aposentei-me em 1997, como professor do Departamento de Letras da UEM
Você se lembra do primeiro dia em que pisou nesta terra? Pensou que ficaria tanto tempo?
Foi no dia 17 de janeiro de l955. Vim de São Fidélis-RJ, onde nasci, mas antes de Maringá morei dois anos em Bauru. Cheguei aqui de jipe. Hospedei-me no antigo Hotel Esplanada e minha primeira grande emoção foi um banho de chuveiro. Senti-me como se estivesse em outro planeta, ao ver a água escorrer vermelha do meu corpo coberto de poeira.
Você esperava que Maringá crescesse tanto assim em tão pouco tempo?
Creio que sim. A cidade, quando cheguei, estava ainda sob o comando do primeiro prefeito, Inocente Villanova Júnior. Nenhum asfalto, água de poço, as casas quase todas de madeira, mas dava para perceber nas pessoas, nas conversas, na terra, no ar um fantástico vigor. Ali estava nascendo, sem dúvida, uma grande metrópole. Todos sentíamos isso.
Se você for convidar alguém para visitar ou morar em Maringá, quais serão os argumentos?
Sempre digo que viver em Maringá é um privilégio. O clima é bom, a cidade é muito bonita e dispõe de todos os recursos modernos, e sobretudo é um lugar onde as pessoas, em geral, mesmo em momentos difíceis, acreditam que vale a pena estar no mundo.
Maringá motiva você a fazer poesia ou poeta faz versos em qualquer lugar?
Poeta é poeta onde quer que esteja, mas aqui parece que o estímulo é maior.
Entre as muitas trovas que você fez sobre Maringá, qual ou quais que mais gosta?
Magicamente, suponho,
como outra lenda qualquer,
Maringá nasceu de um sonho
sonhado pelo Joubert.
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