Reitor do Cesumar fala sobre Maringá
Quais os principais fatores que determinaram o desenvolvimento de Maringá?
O fator principal chama-se planejamento. Desde o início de sua colonização, quando a Cia Norte do Paraná planejou a região com lotes divididos em pequenas áreas, de 3 a 10 alqueires, investindo na infra-estrutura de rodovias e, sobretudo, em uma ferrovia no meio da mata, que vinha de Ourinhos até Apucarana, logo no início da década de 50.
Esse modelo levou a um tipo de colonização, onde se atraiu para cá pequenos proprietários empreendedores, de terra e na área comercial. A região não foi tomada por grandes proprietários rurais, que demandariam anos para abrir toda área agrícola e centralizariam a economia.
Esse modelo de colonização trouxe milhares de pessoas de classe econômica média baixa, gente com o objetivo de lutar, porque era tudo muito difícil, muito rústico. A terra roxa criava muitas dificuldades para o trânsito em épocas de chuva e a poeira era, também, muito agressiva.
Essas pessoas que vieram para cá tinha tinham essa característica, do empreendedorismo.
E para que pudessem vencer as adversidades, elas estabeleceram um jeito colaborativo de ser. Esse espírito colaborativista propiciou o associativismo e já na década de 60 surge aqui a Cocamar, servindo de exemplo para outras cooperativas que nasceram na região e ajudaram no seu desenvolvimento. .
As cooperativas, em nossa região, sobreviveram ao tempo e às crises e estão aí socializando os resultados da economia rural. Como a base da economia era rural, o comércio cresceu junto.
Esse espírito associativista e colaborativista levou a cidade também a se unir politicamente e promover grandes conquistas para Maringá e região, no que tange à melhoria da infra-estrutura, implantação de boas escolas. Na década de 60 já tínhamos a Universidade Estadual de Maringá, com os seus primeiros cursos e depois com a consolidação desta como uma grande universidade, outras instituições de ensino superior vieram, a formando pessoas e qualificando mão-de-obra para um trabalho de nível elevado.
Também, esse espírito propiciou a formação da Associação Comercial e Industrial de Maringá (ACIM) como uma organização muito forte, sem concorrências interna e que, junto com o poder público, tem dado as mãos para o desenvolvimento efetivo de nossa cidade, com ganhos significativos.
Até que na década 90, por iniciativa da própria ACIM, houve a criação do CODEM, que tem tido papel preponderante no sentido de criar diretrizes para o futuro de Maringá, propor projetos e ajudar em suas execuções. O projeto “Repensando Maringá para 2020, quando diversos segmentos da cidade se juntaram para discutir o planejamento futuro da cidade, na década de 90, foi fundamental para criarmos novamente o rumo do nosso desenvolvimento que vem sendo seguido com sucesso até hoje, a ponto de já ter sido reelaborar o até o ano de 2030..
Quais as maiores potencialidades de Maringá?
Maringá tem como base o agronegócio, mas há mais de vinte anos se despontou efetivamente como uma cidade universitária, além de se destacar também na área da indústria, que tem crescido bastante, com uma empregabilidade significativa. Temos ainda a área têxtil, que tem sido fundamental para o desenvolvimento de Maringá e região, um setor fortemente exportador. Entretanto, ainda existem grandes potencialidades, dado a qualidade da mão-de-obra hoje formada em Maringá nas áreas das engenharias, eletroeletrônica, tecnologia e indústria de ponta. Para aproveitar esse potencial, está sendo organizado o Parque Tecnológico de Maringá. Vejo, então, que a grande potencialidade deste momento dirige-se para essa área, da tecnologia de ponta.
O que falta para Maringá? Quais as carências? Em que setores deve haver maiores investimentos?
O próprio Parque Tecnológico é uma área ainda carente de infra-estrutura. Já existe a área, mas poucos recursos para investimento. Ali é o grande desafio desse momento para que ele possa se materializar efetivamente e possamos promover o desenvolvimento maior das indústrias dessa área aqui em Maringá e atrair indústrias âncoras. Então o setor que mais precisa de investimentos públicos hoje é na área do desenvolvimento de tecnologia, das indústrias de ponta.
Mas quem quiser vir investir hoje em Maringá encontra potencialidade em todas as áreas, como no turismo, por exemplo, onde há um grande trabalho do poder público. Mas Maringá tem espaço para shoppings, hotéis, centro de eventos, tem vários projetos na área de turismo esperando por investidores, na área da construção civil, principalmente em espaços que possam servir de aluguel para indústrias. Na agroindústria também são boas as oportunidades. Inclusive o nosso clima e a nossa produção faz da nossa região a maior produtora de biomassa que esse Brasil conhece. Na área da agroindústria, nós temos um espaço totalmente aberto. Na área hortifrutigranjeira, precisamos estabelecer uma cadeia de produção para distribuição regional, já que todos esses produtos hoje vêm de fora.
Maringá é uma área aberta. O poder de consumo aqui é bastante elevado, é uma cidade com muito dinheiro também aplicado, o que nos faz pensar que, se tem dinheiro aplicado, é porque o cidadão maringaense tem boas rendas e os negócios aqui têm dado bons resultados.
Como será Maringá daqui a vinte anos?
O Codem em 2006-2007 fez um novo repensar Maringá (Maringá 2030) e ali estão as diretrizes. O que é que nós queremos para Maringá em 2030? No documento está a visão do que será a cidade daqui a vinte anos. Estamos passando por momento de efetivação e transformações fundamentais no trânsito da nossa cidade, com a construção da linha leste oeste e o rebaixamento da linha férrea e vias cruzando por cima dessa linha de trem. Temos o novo sistema binário para ajudar a fluir o trânsito da cidade. Então Maringá, daqui a vinte anos continuará sendo a cidade dos sonhos das pessoas. Como é hoje, uma cidade progressista, universitária, que oferece todas as condições para quem quer viver com qualidade de vida e segurança. Teremos ainda, provavelmente daqui a vinte anos um aeroporto internacional, onde as pessoas poderão sair daqui para qualquer lugar do mundo.
Foto da Capa: www.cesumar.br